Notícia na imprensa: CAIU A MAQUIAGEM


 

Desde a gestão do hoje prefeito Rodney Miranda à frente da Secretaria de Estado de Segurança Pública havia uma inquietante desconfiança sobre as estatísticas de homicídios apresentadas oficialmente pelo governo do Estado. Não que os números divulgados fossem lá essas coisas. Muito ao contrário. Durante os oito anos do governo Paulo Hartung — dois terços com Rodney no comando da pasta e o restante com o atual secretário André Garcia — os Espírito Santo sempre esteve no “G4” do ranking nacional de homicídios, mais propriamente na vice-liderança, atrás apenas de Alagoas. Entretanto, se os dados fossem reais, o quadro poderia ser ainda pior. Tomaria a liderança de Alagoas, quem sabe.

 

Século Diário tem levantado a desconfiança sobre os dados de homicídios desde 2008. Maquiar as estatísticas foi uma prática iniciada com Rodney e transferida pelo delegado federal ao seu sucessor, André Garcia. Parece que o discípulo, nesse quesito, superou o mestre. Se havia desconfiança de que os dados eram manipulados por Rodney, agora se tem certeza no comando de Garcia.

 

Se antes o jornal denunciava no deserto a distorção dos dados, agora são os próprios agentes da Segurança Pública que estão dizendo que os dados não correspondem à realidade. Representantes das Entidades Unidas da Polícia Civil – grupo formado pelo Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol); dos Delegados de Polícia (Sindepes), Associação dos Delegados de Polícia (Adepol-ES), Sindicados dos Inestigadores – Associação dos Investigadores de Polícia (Sinpol/Assinpol), Associação dos Escrivães de Polícia (Aepes), Associação dos Agentes de Polícia Civil (Agenpol), e Associação dos Peritos Papiloscópicos do Estado (Appes) – enviaram à Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa uma denúncia relatando a “fraude” nas estatísticas.

 

O documento das entidades aponta que os homicídios são subnotificados. Como alertava Século Diário há anos, as ocorrências de encontro de cadáver; encontro de ossadas, mesmo após a confirmação posterior do crime de homicídio; ocorrências com morte por intervenção policial, além de vítimas de homicídios tentados que são hospitalizados e depois morrem, ficam fora das estatísticas.

 

Fontes ligadas às polícias civis e militares cantavam essa pedra havia anos, mas ninguém tinha coragem de denunciar a fraude. A propaganda do governo e as notícias publicadas na imprensa corporativa eram as “fontes oficiais”. O resto era “delírio de Século Diário”, que enxergava homicídio onde não existia.

 

Mas a tolerância à farsa agora acabou e as entidades ligadas à Polícia Civil decidiram pôr a cara na reta. Qual será a explicação que André Garcia dará aos deputados da Comissão de Segurança da Assembleia? Dirá que os operadores da Segurança estão mentindo, que eles estão distorcendo a realidade apenas para prejudicá-lo?

 

Se o argumento do secretário enveredar por esse caminho, isso só ajudará a reforçar a tese de que as estatísticas são manipuladas.

 

Observem como tudo se encaixa. O governador Paulo Hartung assume o terceiro mandato decidido a promover um corte linear de 20% em todas as secretarias, inclusive na de Segurança. Para quem já se esqueceu, no início de 2015 as viaturas ficavam estacionadas nos pátios devido ao racionamento de combustível. Economia que prejudicava o policiamento ostensivo. Esse era só um dos cortes, havia outros.

 

A propaganda governamental combinada à maquiagem das estatísticas foi a arma usada para devolver à população a falsa sensação de paz. O governo finalmente estava vencendo a batalha contra a violência. Garcia apareceu na mídia corporativa inúmeras vezes para apresentar, com ar de vencedor, que os índices de homicídios estavam em queda livre.

 

Nos jornais, na internet e em outdoors espalhados pelas ruas o governo comemorava os resultados espetaculares: “Estado registra a menor taxa de homicídios dos últimos 23 anos”, festejava um dos jornais eletrônicos.

 

Desde que a estratégia foi posta em prática, a notícia positiva vem sendo combinada com campanhas publicitárias bem produzidas (e caras) como a “Compartilhe o bem”. A campanha, defende Garcia, quer incentivar a população a fazer o bem e deixar de lado a cultura da violência.

 

O conjunto de ações publicitárias, reforçado por uma inundação de matérias positivas na mídia corporativa sobre a desaceleração da violência, vem conferindo uma falsa sensação de paz à população, que passa a acreditar que o governo vem cumprindo seu papel social de proteger o cidadão e o patrimônio (aliás, outro dado que está sendo subnotificado, segundo a denúncia).

 

A versão governamental estava “colando” até agora, não fosse o documento das entidades ligadas à Polícia Civil, ou seja, quem está realmente na linha de frente da apuração dos homicídios, contestar a “Suíça” que vem sendo vendida pelo secretário de Segurança.

 

Com informações do portal Século Diário

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